“Sem guerra, o presidente dos EUA não é Imperador”

O discurso bélico da Administração de Barack Obama explica-se pelas necessidades de propaganda interna, uma estratégia que, segundo o politólogo Borís Mezhúyev, começa a fracassar.

A política exterior dos Estados Unidos já passou por diversas etapas durante os últimos anos, desde quando atuava como “um país que apenas com a sua imagem deveria influenciar outras nações” até à fase em que surgiu a ideia do “fundamentalismo democrático”, a de “eliminar tiranos” e “divulgar a democracia pela força”, explica Borís Mezhúyev numa entrevista ao diário ‘Vzgliad’.

Desta forma os norte-americanos “habituaram-se a que todos os seus presidentes devem desencadear uma guerra, porque sem guerra o presidente não é imperador. Apareceu uma mentalidade imperialista, como na antiga Roma”, refere o politólogo.

Presidente Imperador dos EUA

“Apesar do povo não querer guerrear, o prestígio do presidente-imperador está cada vez mais relacionado com a guerra, mesmo que esta não termine com muito êxito”. Este fenômeno também é notório no debate público sobre a possível intervenção militar em Síria por parte dos EUA.

Contudo, apesar de Washington ter sido líder da formação da opinião pública durante muitos anos, “atualmente a propaganda começa a falhar”.

John McCain responde a Putin em vez de Obama

A mensagem do senador republicano John McCain, publicada no diário russo ‘Pravda’ dias depois do artigo do presidente Vladímir Putin no ‘The New York Times’ demonstra que “Obama não teve nada a contradizer a Putin, por isso outros políticos tiveram que responder por ele”, afirmou Mezhúyev.

Entre a élite política não existe melhor candidato para esta tarefa que McCain, uma “encarnação da russofobia norte-americana”. O objetivo da mensagem era “diminuir o prestígio da Rússia após a iniciativa desta nação” para solucionar o conflito em Síria de maneira pacífica, estratégia que “continuará a usar-se no futuro”, adverte o especialista em Ciência Política.

Mezhúyev qualifica essa táctica de “detestável”. Ao escrever que “os russos merecem um presidente melhor”, McCain insulta a nação russa, uma vez que se refere a um presidente eleito pela maioria, e essa eleição deveria ser respeitada, conclui o politólogo.

Fonte: http://actualidad.rt.com/actualidad/view/106290-eeuu-propaganda-fracaso-imperialismo-siria

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